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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Artigo sobre a Impressora Pontagrossense

Da Impressora Pontagrossense pouca coisa foi preservada um balanço realizado 30 de dezembro de 1950, um exemplar do Jornal da Manhã de Ponta Grossa, em sua edição de 25 de janeiro de 1964, um exemplar da Revista Operária de Ponta Grossa do dia 30 de novembro de 1929, uma lista de preços do antigo estabelecimento gráfico Express e um exemplar da revista Vida Princesina de novembro-dezembro de 1952.

O artigo da Revista Princesina tem como título “Raiscosk e Traple” e inicia assim:
Tivemos o agradável ensejo em visitarmos nesta cidade a conceituada e acreditada firma Raicosk e Traple, da qual são componentes os nossos prezados patrícios senhores, Miguel Raicosk e Guilherme Traple, autêntico vanguardeiros no comércio tipográfico na Princesa do Campos. Teve o seu marco inicial em 28 de agosto de 1929, quando um grupo de profissionais resolveu criar nesta cidade, em modesta tenda, uma oficina tipográfica que pelo labor continuo de seus componentes, chegou a suprir em grande parte a necessidade dos nossos meios comerciais, avançando sempre para a senda do progresso, pois cada ano que transcorria mais se avolumava seu capital, seus maquinários, acompanhando em cada fase a evolução natural do ciclo artísticos das composições e o perfeito acabamento das encomendas que lhes foram confiadas”.
 
E no segundo parágrafo: 
Hoje, do remanescentes daquele pugilo de denodados trabalhadores avulta a figura laboriosa de Migual Rascoski Sobrinho, que em 1940 prevendo as necessidades do meio, o progresso de nossa terra, sentiu a necessidade de melhor ampliar o seu comércio se aliando sem sociedade ao profundo conhecedor do “metier” Sr. Guilherme Traple, verdadeiro artista do ramo, criação da Impressora Pontagrossense, firma esta de elavado crédito, que gira com um capital equivalente a mais de 2 milhões de cruzeiros.”
 
Depois de enumerar a produção tipográfica da Impressora Pontagrossense o artigo prossegue abordando a figura de Guilherme Traple que “como acima dissemos é um artista na verdadeira concepção da palavra, pois à sua pessoa está confiada a secção de litografia que produz com rara perfeição todo  serviço no gênero, em cores variadas, desenhos artísticos para cartazes, rótulos em geral, materiais para propaganda, etc.
 
Alusões ao parque gráfico: 
ainda recentemente foi adquirido, sob importação alemã, uma autêntica “ORIGINAL HEIDELBERG”, máquina automática que imprime um mínimo de 5 mil exemplares. Outra conquista de vulto consiste na compra recentíssima de uma rotativa para impressão, com tinta de anilina e clichês de borracha, com rebobinador, cortador de folhas, cortador longitudinal e transversal, em 3 cores, o que vem concorrer para a presteza e perfeição absoluta no concernente aos pedidos ou encomendas que esta firma vem atendendo, não só do nosso estado, mas também e todos os recantos do país. Outra secção digna de citação é a de fabrico de caixas em geral, para calçados, bombons, erva-mate, etc.
  
Os senhores Raicosky e Traple, cavalheiros de fino trato, mantém sob sua orientação nada menos de 50 operários, hábeis e capacitados, que são verdadeiros amigos de seus chefes, pois trabalham em ambientes sadios, com horas de trabalho pautadas dentro do que determinam as Leis Trabalhistas, descanso, remunerações, etc., estando todos satisfeitos em ambientes onde o trabalho se casa perfeitamente com o sentido de estar de produtividade.” 

Acompanham o artigo, fotos de seus fundadores, de maquinário e outra, do mostruário “da bem aparelhada organização Impressora Paranaense” na Exposição Industrial de Ponta Grossa em 19 de setembro de 1951 na qual a firma de Raicosk e Traple obteve diploma e medalha de ouro.
 
O jornal da manhã, de 25 de janeiro de 1964 sob o título “chlicherie-Notável Empreendimento Enriquecerá Parque Industrial de Ponta Grossa”, inicia com uma declaração de Miguel Raicosk: Há um longo tempo vimos estudando um esquema de ampliação dos meios de produção com a aquisição de equipamentos especializados, com recursos próprios, visto que, apesar dos esforços, não conseguimos com os órgãos oficiais um financiamento mínimo para dotar Ponta Grossa de moderna clicherie, conjuntamente com aquisição e montagem de uma máquina de impressão Offset, que achamos de adquirir e a qual possibilitará a execução de trabalhos gráficos poli crômicos de propaganda ou cartonagem. ”
 
Pouquíssimo material confeccionado pela Impressora Pontagrossense foi preservado. Quando o estabelecimento deixou de funcionar os “velhos papéis foram sendo postos fora, para não tomar lugar.” Uma semana antes de dar seu depoimento a Casa Romário Martins uma enorme caixa de velhos impressos, rótulos e embalagens foram queimadas. Por ocasião do nosso primeiro contato, foi “localizada” uma caixa de sapato que acidentalmente escapara da queimada. Nela coletamos alguns rótulos da Impressora Pontagrossense, que agora são mostrados na exposição, e também rótulos confeccionados por outras litografias que haviam sido levados à Impressora para serem reimpressos.

Nota: 
Este texto não tem a assinatura da autoria, porém imagina-se que tenha sido parte da pesquisa realizada em 1975 por Rosirene Gemael.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Breve Histórico sobre a Impressora Pontagrossense

Da Impressora Pontagrossense pouca coisa foi preservada um balanço realizado 30 de dezembro de 1950, um exemplar do Jornal da Manhã de Ponta Grossa, em sua edição de 25 de janeiro de 1964, um exemplar da Revista Operária de Ponta Grossa do dia 30 de novembro de 1929, uma lista de preços do antigo estabelecimento gráfico Express e um exemplar da revista Vida Princesina de novembro-dezembro de 1952.

O artigo da Revista Princesina tem como título “Raiscosk e Traple” e inicia assim:
Tivemos o agradável ensejo em visitarmos nesta cidade a conceituada e acreditada firma Raicosk e Traple, da qual são componentes os nossos prezados patrícios senhores, Miguel Raicosk e Guilherme Traple, autêntico vanguardeiros no comércio tipográfico na Princesa do Campos. Teve o seu marco inicial em 28 de agosto de 1929, quando um grupo de profissionais resolveu criar nesta cidade, em modesta tenda, uma oficina tipográfica que pelo labor continuo de seus componentes, chegou a suprir em grande parte a necessidade dos nossos meios comerciais, avançando sempre para a senda do progresso, pois cada ano que transcorria mais se avolumava seu capital, seus maquinários, acompanhando em cada fase a evolução natural do ciclo artísticos das composições e o perfeito acabamento das encomendas que lhes foram confiadas”.

E no segundo parágrafo: 
“Hoje, do remanescentes daquele pugilo de denodados trabalhadores avulta a figura laboriosa de Miguel Rascoski Sobrinho, que em 1940 prevendo as necessidades do meio, o progresso de nossa terra, sentiu a necessidade de melhor ampliar o seu comércio se aliando em sociedade ao profundo conhecedor do “metier” Sr. Guilherme Traple, verdadeiro artista do ramo, criação da Impressora Pontagrossense, firma esta de elevado crédito, que gira com um capital equivalente a mais de 2 milhões de cruzeiros.”

Depois de enumerar a produção tipográfica da Impressora Pontagrossense o artigo prossegue abordando a figura de Guilherme Traple que “como acima dissemos é um artista na verdadeira concepção da palavra, pois à sua pessoa está confiada a secção de litografia que produz com rara perfeição todo  serviço no gênero, em cores variadas, desenhos artísticos para cartazes, rótulos em geral, materiais para propaganda, etc.”

Alusões ao parque gráfico: 
... Ainda recentemente foi adquirido, sob importação alemã, uma autêntica “ORIGINAL HEIDELBERG”, máquina automática que imprime um mínimo de 5 mil exemplares. Outra conquista de vulto consiste na compra recentíssima de uma rotativa para impressão, com tinta de anilina e clichês de borracha, com rebobinador, cortador de folhas, cortador longitudinal e transversal, em 3 cores, o que vem concorrer para a presteza e perfeição absoluta no concernente aos pedidos ou encomendas que esta firma vem atendendo, não só do nosso estado, mas também e todos os recantos do país. Outra secção digna de citação é a de fabrico de caixas em geral, para calçados, bombons, erva-mate, etc. Os senhores Raicosky e Traple, cavalheiros de fino trato, mantém sob sua orientação nada menos de 50 operários, hábeis e capacitados, que são verdadeiros amigos de seus chefes, pois trabalham em ambientes sadios, com horas de trabalho pautadas dentro do que determinam as Leis Trabalhistas, descanso, remunerações, etc., estando todos satisfeitos em ambientes onde o trabalho se casa perfeitamente com o sentido de estar de produtividade.” 

Acompanham o artigo, fotos de seus fundadores, de maquinário e outra, do mostruário “da bem aparelhada organização Impressora Pontagrossense” na Exposição Industrial de Ponta Grossa em 19 de setembro de 1951 na qual a firma de Raicosk e Traple obteve diploma e medalha de ouro.

O jornal da manhã, de 25 de janeiro de 1964 sob o título “chlicherie-Notável Empreendimento Enriquecerá Parque Industrial de Ponta Grossa”, inicia com uma declaração de Miguel Raicosk:
"Há um longo tempo vimos estudando um esquema de ampliação dos meios de produção com a aquisição de equipamentos especializados, com recursos próprios, visto que, apesar dos esforços, não conseguimos com os órgãos oficiais um financiamento mínimo para dotar Ponta Grossa de moderna clicherie, conjuntamente com aquisição e montagem de uma máquina de impressão Offset, que achamos de adquirir e a qual possibilitará a execução de trabalhos gráficos poli crômicos de propaganda ou cartonagem. ”

Pouquíssimo material confeccionado pela Impressora Pontagrossense foi preservado. Quando o estabelecimento deixou de funcionar os “velhos papéis foram sendo postos fora, para não tomar lugar.” Uma semana antes de dar seu depoimento a Casa Romário Martins uma enorme caixa de velhos impressos, rótulos e embalagens foram queimadas. Por ocasião do nosso primeiro contato, foi “localizada” uma caixa de sapato que acidentalmente escapara da queimada. Nela coletamos alguns rótulos da Impressora Pontagrossense, que agora são mostrados na exposição, e também rótulos confeccionados por outras litografias que haviam sido levados à Impressora para serem reimpressos.

Nota:
Apenas de não constar uma assinatura no artigo, pode-se imaginar que a autoria provável é de Rosirene Gemeal por volta de 1975.
Digitalizado do original datilografado por Alan Witikoski.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Miguel Raicosky e a Impressora Pontagrossense.

Apesar da transcrição datilografada estar faltando, foi localizada uma já digitalizada. O autor da transcrição original não está identificado. Por conta das pesquisas, acredito que a entrevista tenho sido cedida a Rosirene Gemael, no ano de 1975. Disponível para consulta na Fundação Cultural de Curitiba.

O sobrenome do seu Miguel é apresentado coma  grafia  de três maneiras, Raicosky, Raicoski e Raicosk, isso em três textos diferentes. Não tento contato com a família e, com a escassez de documentos sobre o tema,  não posso afirmar com exatidão com a grafia correta, mas pela questão da escrita a mais provável é com y no final.


Entrevista com Miguel Raicosky 

Foi um depois da missa das nove. Miguel Raicosky saiu da Catedral de Ponta Grossa acompanhado pelo sogro e foi olhar a oficina Gutemberg que estava à venda. Coisa pequena: um prelinho manual, uma guilhotina manual, tudo pequeno. Seu Miguel olhou, gostou e acabou comprando por 15 contos de réis. Começou a trabalhar por conta própria em agosto de 1939 e em 1932 com grande euforia, comprou um prelo a pedal. Em 1940 instalou também uma litografia na firma que já tinha então o nome fantasia de Impressora Pontagrossnese e razão social Traple e Raicosky.


Em seu depoimento, gravado em Curitiba no dia 18 de agosto de 1975, Seu Miguel fala das dificuldades de transporte para atender seus clientes do noite do país e conta que era atendido por três litógrafos de Curitiba que faziam aqui os desenho que seriam impressos em Ponta Grossa.


1. Por favor seu nome e data de nascimento. 

Miguel Raicosky Sobrinho, Nasci no dia 10 de junho de 1905 na cidade de Ponta Grossa onde sempre vivi e onde comecei a trabalhar aos 10 anos de idade, em cima de um caixão para poder alcançar a mesa de trabalhos gráficos no Diário dos Campos. Nesta época, o jornal tinha como redator chefe o jornalista Hugo Borges dos Reis que depois transferiu-se para São Paulo.
 
2. Desde o início de sua vida profissional dedicou-se a funções gráficas?  

É, do Diário do campos fui trabalhar na Litografia Guimarães e de lá passei para o meu próprio estabelecimento no ano de 1929. Na firma do Guimarães fui chefe do departamento de tipografia.
 
3. Quando abriu o seu próprio estabelecimento o que produzia?  

Bem, eu soube que uma pequena oficina de Ponta Grossa estava à venda, coisa pequena, um prelinho manual, guilhotina manual, tudo pequeno. Então, no domingo, depois da missa das nove horas, saí da catedral em companhia do meu sogro e fui visitar a Tipografia Gutemberg que já estava fechada por um desentendimento entre seus sócios. Olhei tudo, achei que podia começar ali o meu próprio negócio e acabei comprando por 15 contos de réis. Comecei a trabalhar no dia 29 de agosto de 1929. Já em 1932 fui melhorando e comprei meu prelo com pedal.
 
4. Qual era a produção em sua fase inicial?  

Bem, os funcionários eram somente eu e mais três meninos, quer dizer, eu mesmo cortava o papel, fazia as provas, imprimia, entregava ... 
 
5. Começou a fazer rótulos desde o início?  

Não, comecei fazendo só tipografia: papel de carta, notas, duplicatas, cartões, fichas, essas coisas para o escritório. Só mais tarde é que fomos comprando maquinário, ampliando nosso trabalho, iniciamos a impressão litográfica e começamos a fazer rótulos.
 
6. As máquinas litográficas foram compradas na Alemanha?  

Não, compramos em São Paulo, de uma oficina gráfica que estava em reforma, adquirindo equipamento mais moderno. Inicialmente compramos 3 prelos mais tarde compramos outra máquina do Fontana, porque as emendas eram muitas e não estávamos dando conta.
 
7. Quando começou a trabalhar na litografia onde foi buscar os profissionais? 

Olha, o principal funcionário da fase da litografia era o Guilherme Traple, admitido desde o início como sócio, pois inclusive o nome do estabelecimento era Raicosky e Traple. O Guilherme já era profissional no ramo da litografia em Curitiba antes de transferir-se para Ponta Grossa. Já havia trabalhado na Metalgráfica Pradi e era um bom técnico. Quando decidiu ir à nossa cidade empregou-se inicialmente na oficina do Madalosso que trabalhava com latas.
 
8. Em que data a tipografia passou a ser também litografia? 

Bem, de 1929, data em que abri a oficina, até o ano de 1940 era tipografia e papelaria. Só a partir de 1940 é que começamos a trabalhar com as pedras, na rua XV de novembro , n.º 444. De início tínhamos 14 funcionários e, apesar da razão social da firma ser Raicosky e Traple, o noem fantasia era Impressora Pontagrossense. Este foi o segundo nome da firma que até então denominava-se Tipografia Expresso.
 
9. Nesta época Ponta Grossa contava com muitas litografia?  

Não, a nossa era a única.
 
10. Mas não foi a primeira ...  

A segunda. Primeira foi a do Guimarães, que operava com o sistema de pedras e máquinas planas. Foi nela, aliás, que tive o meu primeiro contato com a impressão litográfica, pois apesar de ser diretor da tipografia sempre dava uma mão na parte litográfica. Houve ainda outra firma que já citei, do Madalosso, que só trabalhava com latas.
 
11. Das litografia de Curitiba a parte técnica sempre esteve sob responsabilidade de alemães em Ponta Grossa também?  

Também, também. Naquela época os profissionais que trabalhavam em pedra ou tinham nascido na Alemanha ou eram descendentes de alemães. O próprio Seu Emilio que era mestre do Guimarães era nascido na Alemanha.

12. A litografia Guimarães terminou em que ano?  

Calculo que tenha terminado no ano de 1935.
 
13. E os desenhistas ou cromistas?  

Olha, é engraçado. Algum desenho era feito lá mesmo, em Ponta Grossa, mas muito pouco. A maior parte deste trabalho era executada em Curitiba. Tínhamos aqui um grupo de desenhistas vinculados a outras impressoras e que trabalhavam também para nós.
 
14. Mas como é que trabalhavam: eram vinculados a Impressora Pontagrossense ou trabalhavam para o Senhor como freelancer?

Eles não tinham vínculo com a minha Impressora. Trabalhavam particularmente. A gente trazia o serviço a Curitiba, eles executavam e depois nos mandavam. Fazia aqui inclusive as matrizes. Gravavam em zinco e depois a gente, lá em Ponta Grossa, tirava a cópia que seria transportada para a pedra matriz da máquina. Estes desenhistas eram todos de origem germânica, estavam ligados a outras impressoras e faziam o nosso trabalho em casa à noite, ou nos fins de semana.
 
15. Lembra o nome destes desenhistas?  

Sempre foram os mesmos: Otto Schnneck, Alfredo Oeler e Albino  Hoetlich.
 
16. Devia ser muito difícil trabalhar em Ponta Grossa dependendo dos desenhistas de Curitiba, se eram eles que deviam criar o rótulo, que antes de ser executado precisava ser apresentado a apreciação do freguês ... 

Era muito complicado mesmo. Mas de um modo em geral o freguês já trazia a ideia e, raramente, pedia uma criação nossa. Fazíamos o croqui, submetíamos a apreciação e dificilmente eram feitas alterações. Mas quem desenvolvia esta ideia era o desenhista que era o elemento mais criativo, o profissional mais qualificado.
 
17. Quer dizer que os desenhistas não eram registrados como funcionários da sua empresa. Não eram registrados, não. Aceitavam encomendas e recebiam por trabalho realizado.

 
18. E o trabalho do desenhista era caro?  

Olha, para a época era bem cobrado. Na verdade era um trabalho mais especializado, de profissional qualificado. Pela capacidade que tinham, era justo cobrar um bom preço. Depois o trabalho que faziam não era um trabalho comum então o preço era alto. Mas compensava, porque não podíamos prescindir deles.
 
19. Os fregueses da litografia eram só de Ponta Grossa? 

Tínhamos uma clientela muito boa em Ponta Grossa mas trabalhávamos muito para o Rio Grande do Sul, aquela região de Caxias, Bento Gonçalves e mais tarde fizemos também para o Norte do país, principalmente para engenhos de açúcar de Pernambuco. Tínhamos inclusive um representante nosso em Recife.

20. E a Impressora Pontagrossense tinha condições de atender todos os pedidos? 

Naquela época havia muita dificuldade de transporte, o serviço ficava encaixotado um tempão antes de chegar no destinatário. Era comum uma mercadoria ficar mais de um mês no Porto de Paranaguá esperando embarque, fora o tempo da viagem em si. Quer dizer, não havia capital que chegasse para trabalhar assim ... eram todos serviços grandes que ficavam parados depois de prontos e a gente esperando receber ... Além disso, como o desenvolvimento do Noite é mais recente, ele dependiam do Sul nesta parte de rotulagem e os pedidos eram muitos. Basta dizer que nós, particularmente atendíamos apenas 20% dos pedidos que recebíamos, não tínhamos condições de produzir mais, pois trabalhava-se como regra em prazos de 60 dias devido a demora do transporte.
 
21. Qual era o maquinário da litografia?  

Tínhamos 4 prelos e uma quantidade enorme de pedras. E todo o material empregado era importado: as próprias pedras, o papel telure, o material técnico para transporte ..

22. Até que ano a Impressora Pontagrossense trabalhou com pedras litográficas?  

Até o ano de 1945 quando partimos para o sistema Offset.
 
23. Porque decidiu a trocar a litografia pelo novo processo? 

Porque já estávamos sentido necessidade de maior produção e também de maior qualidade. O novo sistema apresentava uma tecnologia mais avançada e dava melhores condições de trabalho.
 
24. Os mesmos funcionários que trabalhavam com a litografia foram assimilados no nosso sistema?  

Alguns foram aproveitados, outros, no entanto, tiveram que ser substituídos.
 
25. A Impressora Pontagrossense terminou ou a Cartográfica Industrial, sediada em Curitiba é sua continuação? 

Bem, em 1963 montamos a firma aqui com o nome fantasia de Cartográfica Industrial, caracterizada com filial da Impressora Pontagrossense que permaneceu operando ainda por mais 2 anos em Ponta Grossa. Daí então fechamos a firma lá, eu me aposentei, e só ficou a Cartográfica que é dirigida por meus filhos. Eles começaram a trabalhar comigo desde pequenos. Hoje a firma é dirigida por Luís Norton Raicoski, diretor, técnico, Edos e Aronides Raicoski.